BBB e saúde mental

Nunca acompanhei nenhuma das versões do BBB. Lembro vagamente de acompanhar pedaços da edição 1, do bambam, porque era algo novo (e ele conversando com a boneca de vassoura foi algo que chamou atenção de geral, eu não fui exceção).

No ano passado acabei acompanhando do meio pro fim, primeiro porque não se falava em outra coisa nas redes sociais e segundo porque algumas amigas minhas acabaram instigando a minha curiosidade. Em um ano com pandemia, eu de quarentena e usando muito mais o celular, acabei acompanhando um pouco sim.

Esse ano resolvi acompanhar desde o começo, não me pergunte o motivo, nem eu sei. Como sou assinante Globo play e seguimos de quarentena, acho que isso pode ter influenciado. De todo modo, esse post é pra falar que engana-se aquele que subjuga o reality (ou qualquer reality, na minha humilde opinião).

A prova de que BBB está longe de ser uma forma de alienação e entretenimento superficial é que na edição passada os temas machismo e racismo foram tratados dentro da casa de uma forma que repercutiu aqui fora, gerando muitos debates na internet.

E o que falar da edição desse ano? Nem 2 semanas de programa e o caos está instalado. Nunca imaginei que um programa pudesse mexer tanto com a minha cabeça, o que me fez questionar como está a minha saúde mental. Até que ponto eu me abalei apenas por ser um ser humano e não porque eu estou mentalmente fragilizada?

Eu cheguei a SONHAR com as cenas que eu vi na casa. Se você não assiste e nem sabe do que eu tô falando, vou contextualizar brevemente. Um dos participantes bebeu numa festa e encheu o saco de TODO MUNDO, ele implicou literalmente com TODOS, um por um. Foi uma merda. Ele errou, e errou feio. No outro dia bateu a vergonha, o moleque se arrependeu, pediu desculpas e tentou voltar a se reaproximar. E AÍ QUE COMEÇA O INFERNO.

Ninguém dá brecha pra ele. As pessoas excluem ele, isolam, criticam, falam pelas costas. (Detalhe importante, o participante em questão é negro e um dos seus erros foi propor reunir os “pretos da casa” contra os brancos, nesse dia da festa que mencionei). Eles literalmente crucificaram o rapaz. E tudo piora quando outra participante também negra e suposta ativista, começa a desprezar e humilhar o rapaz a troco de nada. Ela chega ao ponto de fazer ele sair da mesa do almoço pra ela poder almoçar.

É um conjunto de horrores. Eu fiquei mal, fiquei com raiva, eu fiquei triste. Os participantes não só são coniventes com o que tá rolando como APLAUDEM e perpetuam o discurso e comportamento de ódio dessa participante. O mais surreal, é que os mais cruéis são os próprios negros, que por sinal, alguns, são ídolos do rapaz que tá sendo psicologicamente torturado….

A gente sabe que esse tipo de coisa acontece. Mas saber que as pessoas tem a capacidade de agir assim em uma casa que é vigiada 24h por dia, monitorada por bilhões de pessoas, é assustador. E eu nem vou comentar da xenofobia que estão fazendo com a outra participante que é nordestina…

Foto: Globo.

Em suma, é um monte de gente tóxica reunida. Ninguém fala de nada construtivo, não tem um assunto relevante, tudo que eles fazem é falar mal uns dos outros. É triste de ver. E o que era pra ser entretenimento virou um acumulado de gatilhos pra quem vê.

Estou analisando como isso tem me afetado e se vale a pena seguir acompanhando. Eu tento imaginar que no final as coisas vão melhorar e que tanto eles (os confinados), quanto nós (os telespectadores) vamos aprender algumas coisas importantes, mas sinceramente cada dia que passa eu acredito menos nisso.

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