Resenha: Minha história de Michelle Obama

Vou tentar ser sucinta, mas acho difícil conseguir, tentar resumir em poucas palavras tudo que esse livro me proporcionou enquanto lia não será tarefa fácil, mas vamos lá. Começo trazendo a definição do dicionário Michaelis de Autobiografia:

A vida de uma pessoa, escrita por ela própria.

Dicionário Online Michaelis

Ou seja, a pessoa conta a vida dela pela perspectiva que ela tem ou quer mostrar. E foi isso que a Michelle fez em Minha História. O livro começa com um relato detalhado da infância dela, desde as aulas de piano com sua tia avó rigorosa, até os divertidos passeios de carro em família. Michelle nos situa sobre como foi ser uma criança negra em um bairro que se tornou perigoso enquanto ela crescia. Fala sobre o esforço dos pais dela para que ela e o irmão tivessem um futuro nada menos que brilhante, apesar das condições adversas em que viviam, e de como claramente, desde cedo ela sabia o que queria. Ela deixa claro que foi privilegiada desde muito cedo, por ter pais que acreditavam no potencial dela e que lutaram para que ele vencesse na vida.

A decadência pode ser algo difícil de mensurar, sobretudo quando participamos dela.

“Muito antes de se tornar um resultado verdadeiro, o fracasso começa como um sentimento. É a vulnerabilidade que gera insegurança e depois é intensificada, muitas vezes de propósito, pelo medo.”

Michelle Obama

Michelle nunca entrou numa batalha pra perder, não foi criada para isso. Me identifiquei com muitas coisas da infância dela, o fato da família dela ser unida e otimista e a forma como ela foi criada se assemelharam muito a minha. Se você me perguntar dos momentos conflitantes que vivi em família ou dos momentos em que fracassei (que graças a Deus e muito esforço não foram muitos) eu vou conseguir contar nos dedos e certamente não saberei detalhar com precisão nenhum deles, não que eles não tenham acontecido, é que eles simplesmente não foram relevantes o bastante em comparação a todos os momentos bons e de conquistas que vivi e que formaram quem eu sou. Não fui criada para remoer dores, mas pra aprender com elas.

Depois de falar sobre sua infância, das dificuldades que enfrentou para ingressar na faculdade (e foram duas, Princeton e depois Harvard) e da angustia que sentia por ter chegado a posição de advogada em uma grande empresa de advocacia depois de muito esforço e dedicação, e ainda assim continuar em busca do seu papel no mundo, Michelle passa a falar do relacionamento dela com Barack Obama e em como ele foi essencial no rumo que a vida dela tomou até ela vir a se tornar primeira dama.

Barack motivou uma mudança que pra ela não foi fácil. Resoluta e determinada, dona do próprio nariz, Michelle já tinha seu plano de vida traçado e de repente, se viu apaixonada por um cara que pensava de uma forma bem menos convencional que a dela e que sonhava em mudar o mundo.

Nesse momento, Michelle é arrancada da sua bolha e passa a olhar em volta. A reflexão que Obama traz pra vida dela é comovente e assustadora. De repetente, ela percebe que precisa fazer mais do que cuidar da própria vida e se esforçar pra alcançar um lugar no mundo, ela percebe que da mesma forma que foi ajudada a chegar onde estava, ela precisava ajudar outros a fazerem o mesmo.

Não é segredo pra ninguém a personalidade de Obama e todas as realizações que esse homem fez enquanto presidente dos Estados Unidos, mas preciso dizer que, pelos olhos da Michelle ele é simplesmente O CARA. Não que ele seja perfeito, longe disso, mas o que mais me chamou atenção foi que Michelle amou esse homem apesar de seus defeitos. A descrição de Obama nesse livro é o relato claro escrito por uma mulher apaixonada, que até faz a gente se apaixonar um pouco por ele também.

Ao que tudo indica, o relacionamento deles foi construído com base na confiança e no respeito mútuo, e sinceramente, eu não duvido… afinal, já são mais de 25 anos juntos. Gostei do fato dela focar nos pontos positivos e construtivos do relacionamento dos dois, principalmente quando ela relata os momentos em que ela se magoava, se sentia sozinha e insegura devido a necessidade de Obama de se doar a sua causa de melhorar o mundo. Sem remoer fatos tristes e constrangedores e sem dar detalhes sórdidos, mas focando no que ela aprendia ou evoluía em consequência de cada situação. No fim, Barack sonhava grande e ela se viu sonhando junto.

Em momento algum Michelle relata ser a favor da candidatura de Obama a presidência, depois de terem se casado e passado por altos e baixos, incluindo um aborto espontâneo, enquanto Barack estava sempre envolvido com a política, ela o apoiou e esteve presente, mesmo sofrendo com isso.

As coisas foram acontecendo, e acho maravilhosa a forma como ela relata suas experiências e dificuldades tentando nos mostrar que no fim das contas, tudo deu certo e tudo que ela viveu foi fruto de escolhas que ela fez de forma totalmente consciente. Michelle deixa claro em sua narrativa que se você acredita e dá o melhor de si, os problemas são detalhes, partes importantes mas não essenciais de toda história, tudo depende da ênfase e importância que você dá a cada um deles.

“Eu era mulher, negra e forte, o que para certas pessoas, mantendo certa mentalidade, só poderia se traduzir em raivosa. Era outro clichê danoso, sempre empregado para varrer para o canto as mulheres de minorias, um sinal inconsciente de que não deveriam escutar o que tínhamos a dizer.”

Michelle Obama

Ao relatar como se sentia ao ser atacada pela mídia, quando se preocupava com a segurança e falta de liberdade de sua família ou com a dificuldade de ser ela mesma e se impor, Michelle mostra toda a sua humanidade, nos lembrando que no fim das contas, ela é apenas uma mulher como qualquer outra. Mas uma mulher negra, numa posição jamais ocupada por uma mulher negra na história de seu país, e que precisava lidar com isso da melhor maneira possível.

“Tenham paciência comigo, pois as coisas não vão ficar necessariamente mais fáceis. Seria diferente se os Estados Unidos fossem um lugar simples com uma história simples. Se eu pudesse narrar apenas as partes pacíficas e agradáveis da minha participação em sua história. Se não houvesse retrocessos. E se todas as tristezas, quando viessem, o final se revelassem ao menos redentoras. Mas meu país não é assim, e nem eu. Não vou tentar ajustar minha história para forçá-la a assumir um formato perfeito.”

Michelle Obama

E ela não tentou mesmo. Especialmente quando fala sobre seu papel como primeira dama, já no final do livro, Michelle relembra os atentados nas escolas, a violência crescente nos bairros mais pobres, a resistência do parlamento em aprovar projetos de leis para dificultar o acesso as armas de fogo, a constante tentativa da mídia em desmoralizá-la e a dificuldade em criar duas filhas com o mínimo de normalidade em meio a loucura da vida política e pública.

Por fim, Michelle encerra o livro falando do processo de transição do governo, da sua decepção com a vitória de Donald Trump e de seus medos e aflições com esse governo. Fala sobre a estranheza de deixar a casa branca e do prazer que experimentou ao não ser mais o foco dos holofotes. As ultimas páginas resumem em uma galeria de fotos toda sua história, desde a infância até a estadia na casa branca.

Ao terminar de ler esse livro eu me senti emocionada e motivada. Michelle queria passar uma mensagem e ela foi muito clara pra mim. Não importa o que você precise enfrentar para alcançar sua felicidade, faça, caia, levante e siga. Redefina prioridades, mude de meta, faça novas metas! Valorize cada pequena conquista e aprenda com cada queda, mas não deixe que elas recebam mais atenção do que realmente precisam.

“Eu não tinha nada, ou tinha tudo – depende de como você queira contar essa história”.

Michelle Obama

E pra mim, dentre as várias marcações que fiz durante a leitura a que mais gostei e que não poderia deixar de citar é essa:

“Algumas de minhas melhores lembranças escrevendo este livro serão os momentos que passamos juntos, com mamãe, sentados na cozinha, revivendo tantas coisas antigas.”

Michelle Obama

Se eu pudesse dizer algo a Michelle Obama seria obrigada. Por ter escrito esse livro, por ter focado no que era inspirador, por ter tentado resumir uma história de vida como a dela em uma obra que pode motivar tantas pessoas.

Caso você tenha chegado até aqui e tenha se interessado em ler o livro, sugiro que leia também as resenhas da minhas amigas, Luma (clicando aqui) e Mialle (clicando aqui), que tiveram uma opinião completamente diferente da minha (pra dizer o mínimo) em relação a esse livro.

Se você já leu, me conta aqui nos comentários o que você achou!

Bjs e até a próxima.

O dia em que eu jantei sabão

Eu estava louca pra retomar meu blog e fiz a promessa pra mim mesma de que esse ano eu tentaria postar pelo menos 1x ao mês, não importando sobre o quê, desde que fosse algo que me desse realmente vontade de escrever (esse foi o motivo de criar o blog, no fim das contas).

Pois bem, eu listei (mentalmente) vários assuntos relevantes para esse primeiro post do ano, minha mudança pra Goiânia, meu primeiro emprego aqui, o mestrado que eu vou começar em março… mas nunca parei pra de fato escrever nada! Eis que hoje, eu acabo de jantar sabão! É isso mesmo, e sabem a tal vontade de sentar e vir escrever? Bateu com força, então aqui vamos nós!

Primeiro, eu queria deixar claro que não foi intencional! Ao contrário dessa moça que é viciada em comer sabão (clique aqui caso queira ler a matéria completa em português) eu só fui trouxa mesmo.

Tá, dito isso, vamos contextualizar. Tudo começou com uma receita de sabão liquido cremoso que eu vi no Instagram e salvei pra fazer depois. Vejam bem, eu salvo essas coisas e raramente coloco em prática, masssss hoje eu coloquei o jogo de banheiro novo pra usar no meu banheiro e não tinha sabonete liquido pra por na saboneteira, lembrei da tal receita e fui fazer… A receita é muito simples e realmente funciona. São 400ml de água quente para um sabonete Dove original (só dá certo com esse), você rala o sabonete, ferve a água, mistura tudo numa panela até ele derreter e põe na saboneteira. Esfriou, só usar.

Simples, né? Também achei. Na publicação a moça alerta sobre a higienização da panela pra não ficar com cheiro e nem gosto de sabão, você deve ferver água com limão e bicarbonato, e pronto, lava e tudo certo.

Comigo essa higienização não funcionou muito bem, e o resto acho que vocês já devem ter concluído, mas mesmo assim vou relatar, porque foi hilário! O famoso, rir pra não chorar, sabe?

Eu fiz todo o protocolo, mas pra mim ainda estava com cheirinho de Dove, e mesmo assim eu usei a panela e a colher de silicone pra fazer o jantar (pra quê ouvir a razão, né mesmo?) Que no caso foi um fricassê de frango. Coloquei tudo na panela, fiz e etc… quando provei, achei que senti cheiro de sabão, e um leve sabor, talvez? Mas novamente ignorei a razão (eu estava com fome e preguiça de lavar a panela de novo) e coloquei na forma com bastante queijo, batata palha e pus pra assar.

Fiz uma salada, fiz o arroz , arrumei a mesa e chamei o Fred pra jantar. Alertei da minha suspeita de ter ficado com um LEVE CHEIRO de Dove, e talvez, sabor BEM LONGE. Começamos a comer. Eu fui a primeira a disparar: AMOR TÁ COM MUITO GOSTO DE SABÃO. E ele coitado, sem querer me decepcionar: Só um pouquinho no final, mas dá pra comer sem problemas.

Seguimos comendo, do meio pro fim estava insuportável, a sensação era de estar comendo fricassê de sabão, ele não quis repetir e eu vi que ele ainda estava com fome. Colocamos ketchup, maionese, mostarda e ele ainda pôs pimenta, mas o gosto de sabão estava implacável. Do meio pro fim, desatamos a rir e fazer piadas do tipo: “já pode xingar, sua boca está limpinha”, “meu trato gastrintestinal nunca esteve tão limpo”, “nada de arrotar e peidar bolhas de sabão, se não eu filmo e ponho na rede” e por ai foi…

Eu terminei de comer na força do ódio, de mim mesma. Ódio por não ter dado voz a razão, afinal, eu poderia ter evitado comer sabão e ter jogado comida fora. O que me deixou mais chateada foi desperdiçar comida.

Se você for fazer essa receita na sua casa não cometa os mesmos erros que cometi, que foram:

  1. Eu não ralei o sabão porque eu não queria usar meu ralador (eu achei que ia dar trabalho pra tirar o gosto e cheiro de sabão dele depois, e eu tava certa né) e ai eu usei uma faca pra picar, alguns pedaços ficaram muito grandes, o que leva ao meu próximo erro…
  2. Colocar a panela no fogo: os pedaços grandes não derretiam por nada, ai liguei o fogo e fui mexendo, até derreter (ainda assim não derreteu completamente). E agora refletindo sobre, percebi que isso que fez o gosto/cheiro “grudar” na panela… não fosse isso, não teria acontecido.
  3. Usar colher de silicone. Ela é muito sensível e absorveu, literalmente o Dove. Está inutilizável. Vai ter só essa finalidade agora, fazer sabonete liquido kkkkk

No fim, eu consegui salvar a panela, depois de ferver água novamente com limão e bicarbonato. O que ficou de lição pra mim hoje é que, você precisa dar ouvidos a sua intuição (eu sabia que ia dar merda e insisti), precisa ter um companheiro que esteja a seu lado na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza e principalmente nas cagadas que você possa fazer kkkkk e que ria junto com você disso…

Então é isso, fricassê é um prato delicioso, mas com sabão, não recomendo.

Bjs e até a próxima.

Empatia. Você tem?

Segundo o dicionário Aurélio, empatia é

Forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com uma pessoa, uma ideia ou uma coisa.

IDENTIFICAÇÃO. Eis aí a grande questão… a cada dia que passa eu percebo que as pessoas se identificam cada vez menos umas com as outras, ou não querem se identificar. É uma coisa tão estranha e ao mesmo tempo tão comum, que me faz refletir a que ponto chegamos.

Pra mim, ter empatia é se colocar no lugar do outro e entender (ou pelo menos tentar) que não, eu não estou em posição de julgar da minha perspectiva, a vida, as atitudes ou qualquer coisa que a pessoa esteja fazendo/lidando em dado momento. Ter empatia é reconhecer no outro um ser com falhas, defeitos e fragilidades que podem não ser as mesmas que as minhas… que podem ser irrelevantes e triviais pra mim, mas que afetam ele. É saber não julgar e apenas estar ali, para o que o outro possa precisar. É ajudar a amenizar a dor que o outro sente, apesar de não ser a minha, apesar de eu muitas vezes não entender.

Estamos doentes, cada vez mais doentes! E eu sinto que não caminhamos para melhorar, pelo contrário, caminhamos para uma realidade ainda pior. Uma geração de pessoas cada vez mais autocentradas e com pouca ou nenhuma noção de coletividade, preocupas em ter e ser, sem lembrar de reconhecer ou doar, se doar. A geração do ‘EU”.

E o que me fez escrever esse texto hoje, e começar essa reflexão, foi uma coisa que eu escutei recentemente no vestiário da academia, onde duas mulheres conversavam, uma negra e a outra branca (a diferenciação é para que se entenda o que me fez pensar), a negra explicava porque ela fazia questão do filho estudar em uma escola cara, mesmo ele sendo o único negro da turma e se sentindo deslocado e excluido por boa parte dos coleguinhas, ela queria que ele conquistasse o espaço dele e ela não tivera a mesma oportunidade, queria dar o melhor pro filho. A outra pessoa, branca, apenas disse que com tantos problemas que já tinha no trabalho, não saberia lidar com o filho dela se queixando todos os dias que não gosta da escola, que os colegas o excluem e tudo mais, que na percepção dela, seria mais simples apenas mudá-lo de escola e evitar a “fadiga”.

Não pude acompanhar o resto da conversa porque liberou uma cabine no banheiro e a mulher negra entrou, deixando a outra mexendo no celular, após dar a sua fatídica opinião sobre o assunto. Eu que já tinha ajeitado meu cabelo, segui pro meu treino… Quer dizer…. é fácil opinar a respeito de algo que não se vive, né mesmo?

Fiquei com vontade de abraçar aquela mãe frustada e dizer: “Eu não faço a menor idéia do que é ter um filho, muito menos passar por uma situação assim, mas você está certíssima, você é uma mãe maravilhosa e seu filho vai te agradecer no futuro!”

EMPATIA. Vamos aprender a ter, ainda dá tempo.

Carta de um corpo cansado

Querida mulher, eu já não aguento mais, estou muito cansado.
Todo ano é a mesma coisa, você surta e começa a se preparar para o carnaval, pro verão…

Você me maltrata.

Você encerra o ano me enchendo de comida que eu não preciso, nas reuniões de família me inunda com álcool e bebidas açucaradas que eu quase não consigo metabolizar, graças ao seu exagero.
Você me envenena e me agride.
Você me odeia!

Fonte: Google imagens

Me insulta, me encara de frente para o espelho e me fala coisas horríveis.
Me submete a dietas malucas e restritivas, me dá diurético, laxante, inibidor de apetite e emagrecedores duvidosos…
Me cansa… me força a fazer atividades que eu não gosto, ou muitas vezes não estou preparado pra executar, eu tento avisar… dou sinais, mas você me ignora.

Por que você me odeia tanto?
Queria fazer as pazes, queria que voltássemos a ter aquela relação gostosa da infância. Você se lembra?

Quando você se achava linda! Você brincava na areia da praia e seu cabelo ficava todo grudado de sal, mas você não se importava.
Quando você comia bolo de chocolate e seu rosto ficava todo lambuzado da cobertura, e as calorias não importavam… e você também não comia o bolo inteiro chorando, sozinha, se sentindo culpada. Mas ouvia meu sinal de que estava bom depois do segundo pedaço e sorrindo voltava a brincar.

Quando a nossa relação ficou tão complicada?
Quando você deixou de me amar e me declarou seu maior inimigo?
A gente não pode fazer as pazes?
Você não pode parar para me ouvir?
Por que vc não cuida de mim?

Eu queria que você gastasse calorias dançando, lembra como a gente adora dançar? E caminhando, a gente fica tão disposto e relaxado quando caminha no parque ouvindo uma boa música…
Queria que voltasse a fazer aquela lasanha de domingo e comesse junto daquela salada verde que sua mãe te ensinou a fazer.
Queria que você bebesse água e não me desse tanto chá. Nada contra o chá, mas sinto falta da água…

Queria que você sorrisse mais.
Dormisse mais.
Queria que você vivesse mais. Me amasse mais. Se amasse mais.

Você veio ao mundo nesse corpo e não vai transformar ele em outro, e o quanto antes aceitar isso mais fácil e leve será nossa jornada por aqui. Até lá eu vou aguentando as pontas, mas não sei por quanto tempo vou aguentar, eu estou cansado, cansado demais.

Um belo dia resolvi mudar.

Festival Nômade, São Paulo, Dez. 2018

Primeiro post do ano, queria muito que fosse ainda em Janeiro. 2019 começou com tudo e basicamente eu não tive tempo e nem sabia sobre o que escrever. Faltando dois dias para o mês acabar e eis que eu resolvi sobre o que escrever, e onde.

Isso mesmo, onde. Decidi que queria tudo novo, inclusive o blog. Depois de muito resistir vim parar aqui e estou muito satisfeita. Não foi fácil deixar o meu antigo blog em outra plataforma para trás, mas entendi que já era hora, eu mudei bastante afinal.

Como típica ariana que sou eu não tenho medo de mudanças, na verdade se tem algo que não me amedronta é mudar. Eu sou mesmo um metamorfose ambulante. Acho que estamos aqui para aprender e evoluir.

Se você já acompanhava meu blog antigo deve saber que eu sou muito aleatória… mas se é novo por aqui, já fique sabendo que essa sou eu (você pode atestar isso facilmente, basta conferir os posts mais antigos que ue consegui importar do meu blog antigo – obrigada tecnologia). Espero escrever com mais frequência esse ano, espero mesmo. Vou falar sobre tudo e sobre nada. No fim isso aqui é uma válvula de escape maravilhosa, sempre foi e provavelmente sempre vai ser.

Espero que vocês gostem, porque eu amo escrever e se tiver alguém disposto a ler, melhor ainda…

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante.

Você já parou para pensar quando tempo da sua vida e quanta energia você gasta em função dos outros?

Não? Pois deveria.

A vida é feita de escolhas, desde que abrimos os olhos precisamos decidir alguma coisa. Ficar na cama e ativar a função soneca do despertador ou levantar logo pra não se atrasar?
Independente de qual seja a escolha ela sempre trará consequências, que mais uma vez, você terá que decidir como lidar. A vida é isso, e não tem muito o que fazer.

A questão é, quanto dela você está disposto a “usar” para agradar os outros?

Ser você mesmo e respeitar os seus sentimentos sejam eles quais forem é a atitude mais corajosa que se pode ter, e eu falo isso em relação a absolutamente tudo na vida. Não precisa ser nada revolucionário, você pode começar com pequenas coisas, como por exemplo, parar de fazer algo que você nem sabe porque faz, mas continua fazendo porque sempre fez… ou começar a fazer algo que você também nunca fez e não faz idéia se vai gostar.

Arriscar!  O medo da mudança pode fazer a gente passar pela vida ao invés de vivê-la, e isso é triste demais.

Você pode ser uma pessoa que:

AMA café, ou que ODEIA.
Ou pode ser a pessoa que ama o cheiro mas só bebe com leite…
Pode ser a pessoa que lê muito ou que não lê nada.
A pessoa que ri a toa ou que está sempre emburrada.
A que só vê filme legendado ou a que tem pavor de legenda e curte o filme dublado.
Que ama rock e pagode ou que nem gosta de música…

E isso não faz a menor diferença, desde que você saiba disso. 

Se conhecer é um grande desafio, as vezes podemos não gostar muito do que descobrimos sobre nós mesmos, e as vezes quando nos aprofundamos na nossa essência, acabamos por nos decepcionar com o que somos ou nos tornamos… mas como diz Zé Ramalho “eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo (…) e sobre o que é o amor,  sobre o que eu nem sei quem sou…” 

Quando você chegar ao fim da vida vai querer se arrepender do que fez ou do que não fez? Eu definitivamente fico com a primeira opção.

Ps 1. Conheci a música Metamorfose ambulante na voz do Zé Ramalho, porém é de autoria do Raul Seixas.
Ps 2. Acho que finalmente voltei a escrever por aqui, e como é bom!

Imagem: google imagens 

Apenas Parem!

Estou a quase um ano sem escrever aqui, minha última postagem data de junho do ano passado. E isso se deve a vários fatores, dentre eles a falta de inspiração e tempo mesmo. Criei esse blog para escrever quando eu achasse que a situação exigisse palavras escritas, e não somente faladas. Como diz no título “As vezes escrever funciona mais que falar“.
Bom, eu continuo sem tempo, talvez com um pouco mais de inspiração… mas o que me fez voltar aqui foi pura e meramente indignação. O caso da meninas de 16 anos que foi estuprada por mais de 30 caras mexeu muito comigo, e com milhares de outras mulheres, no Brasil e no mundo (sim, o caso já ganhou repercussão internacional – obrigada internet) E eu venho compartilhando muita coisa sobre isso na minha página do Facebook, não só sobre esse caso, mas sobre o estupro em si, sobre a cultura do estupro e sobre a luta das mulheres para que isso acabe.
Mas eu não tinha escrito nada sobre com as minhas palavras. Até agora.
Hoje eu acordei, e como de costume, peguei meu celular e fui dar uma olhada no Facebook, ainda na cama. Me deparei com um textão que havia sido compartilhado por uma pessoa da minha rede de contatos, uma mulher, vejam bem… com os seguintes dizeres: “Uma hora a verdade aparece, né mesmo?”.  O texto era sobre o caso da menina “estuprada” – sim, com aspas, vocês entenderão já já – pelos mais de 30 caras.  Bom, vamos parar por aqui. Está na moda usar exemplos pra explicar situações, então vamos lá. Venham comigo. Imaginem a seguinte situação:
Carlos é um rapaz classe média alta, mora em bairro relativamente nobre no Rio de Janeiro, é um bom rapaz, bom filho, todos gostam muito dele. Ele é universitário, vive da mesada do pai, e adora posar de pegador. Carlos sempre posta foto rodeado de garotas, bebendo em festas, nas redes sociais. Carlos gosta de ir pro baile funk da favela com alguns amigos, pra pegar umas novinhas e ficar “no grau”, mas não é sempre não, só as vezes, quando tá animado.Carlos anda com uma galera barra pesada, de quem ele compra umas paradas. No ultimo final de semana Carlos foi pegar geral no baile funk e acabou se metendo com a namorada de um traficante. Carlos não acabou a noite muito bem, Carlos foi espancado até quase morrer por mais de 30 caras da quadrilha do traficante de quem ele pegou a namorada. Foi tudo filmado e jogado na rede, Carlos foi exposto e humilhado. Carlos está na UTI, a policia chegou em tempo de acha-lo com vida. A família está indignada, quer justiça, está dando entrevista em todos os jornais, porque o filho deles não merecia isso. Carlos é um menino bom. A população está revoltada, quer justiça. Afinal, foram mais de 30 contra um. Isso é um absurdo! Ele não tinha como saber que a garota era namorada de traficante…
De quem é a culpa? Seguindo a lógica das pessoas que insistem em dizer que a culpa do estupro foi da garota, a culpa foi do Carlos. Afinal: 
1. Carlos vivia drogado enfiado em baile funk de favela;
2. Vivia se metendo com mulher dos outros, pegava geral;
3. Fez um monte de postagem cercado de mulheres, adorava uma farra;
4. Na noite do ocorrido, Carlos postou que iria pegar geral no baile, “os caras que segurassem suas novinhas”;
5. Quem mandou ele sair pra curtir a noite em baile funk? Tava procurando, né não?
A diferença, é que se o caso do Carlos fosse real, nenhuma dessas questões seriam se quer levantadas. E vocês sabem o porquê? Porque Carlos não é mulher, Carlos não foi estuprado. Ninguém precisa justificar o que aconteceu com Carlos. 
O texto que eu li e que me deixou completamente indignada fala exatamente isso. O texto JUSTIFICA, ou pelo menos tenta, a atitude dos 30 caras, usando fatos a respeito da vítima, usando a história de vida dela, usando argumentos patéticos para justificar o injustificável. Não vou divulgar o texto porque não quero dar ibope pra pessoa que escreveu, e porque quem compartilhou retirou logo em seguida, desconheço o motivo… mas vou listar aqui o motivo pelo qual a autora do texto acha um absurdo estarmos tratando o caso como um estupro… segundo ela,  (se diz ter 35 anos, ter sido criada em favela e nem por isso ter se “perdido” como a adolescente violentada):
1. A adolescente quando tinha 11 anos, postou na sua página de Facebook que “ia pro baile funk dar pra geral”.
2. Aos 13 engravidou de um traficante que foi preso logo depois.
3. Faz apologia ao tráfico, usa drogas e se beneficia dele.
4. Posta foto com drogas e lamenta morte de vagabundo.
5. Pediu ao ficante pra chamar a tropa porque ela “queria dar pra 50”.
6. Biazinha é famosa na favela, pode perguntar pra qualquer um, sempre deu pra geral.
Segundo a autora do texto, ainda, a garota agora que está sendo orientada por uma advogada retirou as postagens do Facebook e sustenta o papel de vítima. Tudo está acontecendo porque o vídeo vazou e a adolescente não sabia que seu caso iria tomar essas proporções. Envergonhada, ela resolveu “pagar de vítima” por vergonha da situação toda.
O.K. Vamos por partes.
VERGONHA DA SITUAÇÃO TODA. 
Ou seja, ela nem se incomodou, o real problema é os pais dela terem descoberto e o Brasil todo ter “visto” ela “dando” pra geral.
É tão incoerente, que vejam bem, se ela tinha fama e dava pra geral, os pais dela sabiam e com certeza o que os outros pensavam nunca foi uma preocupação.
Agora, pegar o passado da garota pra usar como justificativa é simplesmente ridículo.
Se ela “dava pra geral”, se ela tem fama na favela, se ela foi mãe na adolescência, se ela se drogava, ELA ESTAVA EXERCENDO A LIBERDADE DELA.
Certa ou errada, ela ou qualquer outra mulher pode fazer O QUE QUISER com o próprio corpo.
ISSO NÃO JUSTIFICA ESTUPRO. 
No vídeo, ela está DESACORDADA.
Se ela deu pra 10 numa noite como estão falando por ai, ela fez porque quis, porque sentiu vontade, porque isso proporcionou algum prazer e felicidade a ela. 
NÃO EXISTE PRAZER EM SEXO FORÇADO. NINGUÉM FICA FELIZ COM UM ESTUPRO. 
Quantos caras usam drogas e pegam várias numa noite? Participam de orgias, inclusive com outros caras? Isso dá direito de 30 mulheres, ou caras o doparem e usarem o corpo dele como bem entenderem?
VAMOS PARAR DE HIPOCRISIA. 
Parem de procurar justificativas para atitudes como essa.
APENAS PAREM. 
E ainda tem gente que acha que não existe cultura do estupro. Os comentários na postagem eram assustadores. A quantidade de mulheres defendendo essa teoria absurda me deixou ainda mais revoltada.
Só porque ela não seguia o que a sociedade dita como comportamento ideal, ela MERECIA ISSO? 
FAÇAM-ME O FAVOR.  
E eu não vou nem entrar no mérito sobre o que pode ter levado ela a ter a vida que levou, porque isso daria outro post e eu realmente não parei pra escrever sobre isso.
Só queria colocar pra fora a indignação que eu passei o dia guardando. Boa noite.
E obrigada a você que encarou o meu textão e chegou até aqui.

Mãe, Pai! Tô formada!

Na verdade, mãe, pai, família, amigos e sociedade em geral!!!! ESTOU FORMADA!!!!
E a ficha tá balançando, mas cair mesmo ainda não caiu…

Bacharel em Nutrição…  em breve com meu CRN, serei Nutricionista. E que orgulho disso!
Lembro quando fiquei sabendo que o curso de Nutrição tinha acabado de ser incluído na lista dos ofertados pela UFT, fiquei tão empolgada! Ao contrário de algumas colegas,  sempre quis Nutrição. 

Na verdade, cogitei ser dermatologista, mas quando descobri que eu precisaria fazer medicina e então me especializar em dermatologia (eu tinha uns 16 anos na época) desisti na hora rs rs
Nada contra a medicina, mas não é pra mim.

Apesar de ter desistido da ideia, fazer um curso na área da saúde ainda era um sonho, e quando eu conheci a Nutrição, no ensino médio, me apaixonei! Mas também fiquei desiludida por não existir o curso na UFT… até cogitei fazer letras ou pedagogia, porque tenho paixão por dar aula.

Mas, assim que acabei meu ensino médio eis que o curso chegou a UFT e eu pude fazer o vestibular! Não passei de primeira, fiquei decepcionada, é verdade, mas não desisti do meu sonho e na segunda tentativa ingressei para segunda turma de Nutrição da UFT! E eu não cabia em mim de tanta felicidade!

A partir daí foram 5 anos de descobertas, desafios, paixões e tantas experiências maravilhosas que levarei comigo pro resto da vida. Também passei uns perrengues! Eita sistema da UFT que não me ama (ou ama demais)! hahaha Já sumi do sistema e quase perdi um semestre inteiro, fui impedida de fazer prova por não existir na lista de alunos matriculados, no dia da minha colação quase não participo do ensaio porque professor não conseguiu lançar nota, porque meu nome tinha sumido do sistema outra vez, e por ai vai!!! 

Deve ser muito amor envolvido e a UFT não querendo que eu me forme, pra eu ficar mais um pouquinho por lá, só pode! kkkk Mas no fim,  Deus tem tudo planejado para nós, e se soubermos ter paciência, nós conseguimos usufruir de tudo de maravilhoso que ele planejou pra nossas vidas.  Sempre amadurecemos com cada queda.

Atrasei meu curso em 1 ano e consequentemente não pude me formar com minha turma, foi um escolha que fiz de ir pro exterior fazer intercâmbio e investir um pouco mais na profissional que pretendo ser. Imaginar voltar e não ter minhas amigas era assustador,  né Sheila Dagostim? Não foi uma escolha fácil, mas eu não me arrependo.

Confesso que pensei em colar grau em gabinete, afinal, minhas amigas de caminhada não estariam mais colando grau comigo, qual o sentido de colar grau com desconhecidas? Pessoas que eu não havia compartilhado quase nada? Iria me sentir um peixe fora d’água…

E é ai que Deus mais uma vez veio me mostrar que o que ele tinha me reservado era bem maior. Não só tive a oportunidade de finalizar meu curso numa turma maravilhosa, composta de meninas adoráveis e que me receberam de braços abertos e me acolheram como parte da turma (no começo com um pouco de receio, claro, quem é essa doida que acabou de chegar da Alemanha e não para de levantar a mão e fazer pergunta? – sou assim mesmo gente, um pouco nerd, mas juro que não sou metida rs) e me fizeram sentir não só vontade de colar grau com elas, mas de me tornar amiga por toda a vida! 


Muito obrigada por isso meninas.

Aula da saudade com direito ao plantio de uma árvore Pau Brasil,
 presente da profa Sônia Lopes pra eternizar nossa turma na UFT.
Ainda tive oportunidade de fazer parte da comissão de formatura, o que me aproximou ainda mais das queridas colegas Mallu, Tauane, Nati e Lúcia. Nunca tinha presenciado tanta cumplicidade numa equipe, tudo resolvido democraticamente, com cada uma sabendo a hora de ceder, me emociono em lembrar, e já sinto saudades… A organização desespero define bem essa comissão rs Meninas, uma vez comissão pra sempre comissão, hein? Vou levar pra vida a amizade de vocês! Obrigada por tudo!


E por fim, os meus queridos e amados mestres!

Obrigada por todo carinho, paciência e dedicação. O curso não teria chegado onde chegou, não teria se estruturado se não fosse pela garra e amor de cada um de vocês. Com certeza pude ver bem essa mudança, o quanto o nosso colegiado se estruturou, da segunda para quarta turma de nutrição, já que participei de ambas. Cada um de uma forma ou de outra, deixou sua marca em mim. Tenho orgulho de dizer que aprendi com os melhores! 

Queria agradecer em especial a professora Araída que não pôde participar das solenidades por motivo de saúde, mas que além de professora é amiga (e agora colega de profissão, difícil vai ser parar de chamar de profa e de senhora né? rs) que foi quem me incentivou a fazer intercâmbio e que sempre acreditou em mim. Tenho muito carinho, respeito e admiração. Muito obrigada por tudo! 

Obrigada a minha orientadora professora Sandra que me apoiou durante o estágio me fazendo acreditar que eu seria capaz de qualquer coisa que me dispusesse a fazer! Muito obrigada professor Guilherme, que me ajudou demais nessa reta final pra que eu pudesse organizar a bagunça que virou minha grade depois do intercâmbio e a resolver outros perrengues pra que eu pudesse formar!


De coração, obrigada a todos que fizeram parte dessa história.
Minha colação foi linda e emocionante! O dia de ontem ficará marcado pra sempre na minha memória. Espero poder retribuir toda a confiança em mim depositada sendo uma profissional comprometida e apaixonada pelo que faz, carregando com mérito o nome da minha universidade pra onde quer que eu vá.  


E que venham os novos desafios!!

Os extremos da informação ou falta dela.

Tenho visto e ouvido todas essas manifestação sendo divulgadas na internet, rádio, Tv… sobre o atentado que aconteceu na França, e o que me deixa mais intrigada (depois de triste, porque foi uma coisa realmente horrível) é o fato de sempre a mídia colocar um vilão e uma vítima

Não aguento tanta hipocrisia, e acho sim, que todo mundo tem direito de se expressar, mas pra tudo nessa vida tem limite, e o Charlie pegava bem pesado! Por favor não me entenda mal, não estou aqui defendendo o atentado nem dizendo que qualquer coisa nesse mundo justifica tamanha crueldade, ou que “eles estavam procurando por isso”como li algumas pessoas falarem por aí na internet, mas daí a colocar as vítimas em um pedestal já é demais, na minha singela opinião. 

Toda moeda tem dois lados e toda história tem duas ou mais versões… a mídia das massas vende o que lhes convém e quase sempre a maioria compra. Quantas pessoas estão tuitando com hashtags indignadas no twitter ou até mesmo compartilhando posts no Facebook apenas porque comprou a ideia que lhe foi vendida em meia dúzia de reportagens na TV? 

Sim, estamos falando da morte de profissionais talentosos, admirados e dignos de respeito, respeito esse que muitas vezes eles não se indignaram a ter pelas pessoas que se sentiam ofendidas com seus desenhos, apenas por acharem que aquilo era sagrado para elas e estava sendo banalizado de forma até cruel, ouso dizer. Se você dedicou um pouco do seu tempo a procurar algumas das publicações do Charlie, vai saber bem do que estou falando. 

Faço uso aqui das palavras do cartunista brasileiro Carlos Latuff:

“Não acho que essas charges deveriam ser proibidas. Mas o artista deve usar o bom senso. Não trabalharia no Charlie. Não tenho por que fazer desenhos de Maomé sem roupa.” 

fonte:  Amanda Campos – iG São Paulo 
 


Nem todos os que seguem o Islamismo são extremistas, a grande maioria apenas segue a religião  e não saem por ai ensinando seus filhos que devem cometer atentados. Fiz um amigo muçulmano na Alemanha que era um amor de pessoa, nunca conversamos sobre religião e me lembro que as crenças dele não o impediam de respeitar aqueles que não compartilhavam da sua fé. 

Exemplo de uma das publicações da revista: 

Exemplo de charge da Charlie Hebdo sobre o profeta Maomé criticada por Latuff
Muhammad: nasce uma estrela” 

É como já dizia uma professora que tive na 7ª série, e eu nunca esqueci, “a linha entre o direito a liberdade de expressão e o respeito ao outro é muito ténue” e ela estava absolutamente certa…

The Notebook ou Diário de uma paixão

Aproveitei as férias para colocar em dia a leitura de alguns livros que comprei e que estavam na lista de espera. Li “Cadê você Bernadette?” de Maria Semple e simplesmente amei, apesar de ter achado o final da história um pouco decepcionante, o enredo não deixou nada a desejar e atendeu a todas as expectativas. 

Mas, não vim aqui para falar desse livro, não que ele não mereça, apenas fui movida a escrever após assistir pela segunda vez a adaptação do livro “The notebook” ou em Português “Diário de uma paixão” de Nicholas Sparks. 


Que eu sou uma romântica incurável, é fato. Quando assisti o filme pela primeira vez a uns 6 anos atrás (o filme é de 2004) lembro de ter gostado muito! Achei a história linda, mas me lembrava também de ter ficado intrigada com alguns pontos da história que não se encaixavam. Depois de ler “A ultima música” obra também de Nicholas, fiquei encantada pela escrita do autor e comprei vários livros dele (tudo história água com açúcar, bem do jeito que eu gosto! Dessas que você nem pode deixar o livro na cabeceira porque você corre um sério risco de acordar com ele coberto de formigas, rs), inclusive o Diário de uma paixão, porque me recordava vagamente do filme. 


Li agora nas férias (levei exatos cinco dias, não foi mais rápido porque não queria que acabasse, a história é realmente envolvente) e resolvi assistir a adaptação para o cinema, pois como disse anteriormente, já haviam se passado anos e não me lembrava exatamente do filme. 

Juro que não sei porque eu ainda me encho de expectativas, sério. 

O filme pra mim é no máximo baseado no livro e o ápice da contradição é quando o filme acaba e o final é diferente do livro!!! Isso mesmo amigos, DI FE REN TE.  Fiquei indignada e absurdamente frustrada. 

Se você gosta de filmes de romance melosos, com uma pitada de drama, pode assistir! Mas se gostar de ler romances desse tipo, dedique um pouquinho mais de tempo e leia o livro. Que os filmes quase sempre perdem e feio para as obras originais e para nossa imaginação é uma verdade incontestável, consigo contar nos dedos os que de fato ficaram bons e fieis ao enredo original e em alguns casos até compreendo, afinal, as vezes fica difícil comprimir em duas horas todos os fatos que envolvem algumas obras. 

São só ADAPTAÇÕES, tranquilo, tá OK. 

Mas MUDAR O FINAL? 

Aí não né gente, ai já é muito pra minha cabeça… como diz minha sogra.  

Bom, então é isso. Eu precisava falar! HAHAHAHA 
Ufa! Me sentindo até mais leve… 

Ps. Estou lendo “O casamento” e amando! Ele é a continuação do Diário de uma paixão, e graças a Deus não vai poder ser feito um filme dele, graças ao final da adaptação do primeiro que anula toda e qualquer continuação. Tá bom, chega de spoiler, vai que você que tá lendo nunca assistiu ou leu né?